quarta-feira, 10 de outubro de 2012


A solidão é a base da boa escrita.
Todos escrevemos. Melhor dito, talvez, todos podemos escrever.
Não o faremos todos da mesma forma, claro. Não o faremos com o mesmo objectivo.
Há os que o fazem por gosto. Há ainda os que o fazem por obrigação. Há também, claro está, os que o não fazem.
Há, por fim, talvez, os que o fazem por terem de o fazer. Não por obrigação mas porque algo inexplicável os leva a fazê-lo.
De entre todos, não sei qual será o melhor, nem me interessa.
O que me interessa é observar, pensar.
Ora o que tenho vindo a observar e a constatar é que a boa escrita (note-se que a boa escrita aqui se refere apenas à minha acepção e não à sua ou de outro qualquer) surge palpável pela mão de mentes solitárias.
Mentes que vêem por debaixo do manto que cobre o que de mais profundo pode existir no mundo.
Mentes que conseguem ler o que está escrito por detrás da palavra proferida.
Mentes que captam o conteúdo que se esconde na forma.
São essas mentes que admiro, são essas que respeito com o espanto de um descobridor.
101012

domingo, 16 de setembro de 2012


Mau dia
O corpo dela, ora quente, ora gelado.
As lembranças passam, uma a uma, frescas..
Parece ter sido ontem e parece ter passado uma eternidade.
No corpo, calafrios.
Novamente o pânico.
16/09/12

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Era noite lá fora.
Cá dentro o silêncio, apenas o silêncio.
O silêncio de uma alma vazia, de um coração perdido e tristonho..
De repente, do silêncio, o som..
O som baixinho, leve, calmo...
Pequenos gemidos abafados que acompanham o escorregar das lágrimas que lhe banham o rosto..
E a sensação de que não vai parar..
Os braços amarram-lhe o corpo como que a protegê-lo do mundo, da vida, dos sonhos desfeitos..
Solta-se um pouco quando se magoa e sente o corpo estremecer como se lhe faltasse vida.
Tensão a percorrer todo o corpo, falta de força (...)
As lágrimas cedem, por fim, ao cansaço..
Mas o corpo, esse, parece não ceder..
Não consegue adormecer mas também não parece estar acordado...
14-08-2012

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Ela estava inerte... Aquela sensação de que o tempo não passa. E ele, como habitualmente, sempre em movimento; ora depressa, ora devagar. Ela não conseguia mover-se mas, ao mesmo tempo, no corpo um burbulhar inquieto que a incomodava. Um burbulhar de obrigação que a fazia ter vontade de um qualquer acto de brutalidade pura. Começar a gritar bem alto, do fundo do seu ser; partir objectos, como quem está enlouquecido; fazer uma loucura qualquer que lhe aquecesse a alma. No entanto, nada fez. Algo a impedia da acção, qualquer que ela fosse. Sentia que os objectos eram inatingíveis. Como se, ao tocar-lhes, pudessem, simplesmente, desaparecer. A ideia de tudo ser uma miragem afectava o seu estado de espírito de tal forma que até a leve brisa que corria lhe parecia irreal. Como se sonhasse. Como se a realidade não fosse real. E, por isso, ali ficou, imóvel. (04/07/2012)

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Hoje, em conversa com uma amiga, apercebi-me de algo que talvez ainda não fosse claro para mim.
E talvez ainda não o seja...
Ainda assim, dei por mim a sentir vontade de escrever sobre isso.
Estarão agora, provavelmente, a interrogar-se que “isso” é esse.
Esse “isso” é estranheza.
A estranheza que podemos sentir em relação a nós, às nossas próprias ideias, aos nossos próprios sentimentos.
Tudo isto a propósito de uma troca de ideias sobre o que sentimos ou pensamos em relação a algo que fizemos.
No caso, tratava-se de um texto que escrevi, sem saber bem como, em relação ao qual venho a sentir essa estranheza.
Uma estranheza que parece distanciar-me totalmente desse conjunto de palavras que exprimi num dia qualquer.
Voltando a ler o que havia escrito, pareço totalmente alheada do texto.
Um alheamento que leva a que me pergunte “escreveste mesmo isto? Porquê?”
E esse alheamento afasta-me de forma a que encontre a resposta a essas questões.
“Sim, escrevi.”
E faz todo o sentido.
E sou eu.
E não é outra pessoa.
Sou mesmo eu.
Sou eu limpa de preconceitos.
Sou eu a sentir.
Sou eu a deixar-me levar.
Sou eu sem a preocupação, natural, a meu ver, de alguém que escreve algo que vai publicar.
Sou eu a ter liberdade.
Sou eu a ser eu.
E isso é bom.
Isso, é liberdade!
Ainda assim, talvez não seja claro.
Mas isso é um problema que hei-de resolver.
De uma ou de outra forma, hei-de resolver.
(02/04/2012)
Pensar...
Penso tanto! Penso mesmo muito. E penso demais..
Penso até esgotar qualquer tipo de pensamento. Penso quase que de forma a corroer todo o pensamento.
Penso ao ponto de me esquecer de sentir.
E, quando sinto, sinto de forma aprisionada.
Sinto um sentir mais pensado que sentido.
Depois, começo a pensar.
E misturo tudo.
O sentir com o pensar e o pensar com o sentir.
E canso-me.
As ideias começam a girar de forma totalmente baralhada e já nem penso, nem sinto.
E, com isto, a frustração.
E a raiva.
E a culpa.
E o medo.
...
(02/04/2012)
Difícil..
O que quero e não quero.
O que gosto e não gosto.
O que faço e não faço.
A estrada está vazia.
O caminho livre.
E a liberdade...
Mas... o que é a liberdade?
Talvez seja o poder de escolher.
A escolha é, no entanto, difícil.
O caminho a percorrer parece cada vez mais longo.
Ando, ando, ando..
O andar não cessa.
E o caminho continua livre.
Esquerda ou direita?
Posso escolher!
Sim, posso. Com toda a liberdade.
Mas a decisão dói.
Dói ter de escolher.
Os meus pés estão cansados de andar, todo o meu corpo está saturado.
Talvez não seja necessário andar mais.
Talvez possa parar.
A liberdade é também isso, não é?
Poder parar se quiser, se fizer essa escolha.
Porque hei-de ter de andar se quero é estar parada?
Porque hei-de correr se quero apenas andar?
Ah, sim, é isto?
Será isto?
Parece-vos isto?
Oh, é difícil...
(02/04/2012)

sexta-feira, 30 de março de 2012

Apercebi-me que estou cansada.
Sim, é isso. Cansada.
Completamente cansada!
O tempo.
Qual tempo?
Não há tempo.
Ou, há tempo demais!
Os segundos não param, os minutos seguem, um atrás do outro, as horas avançam e, com elas, os dias, os meses, quem sabe, os anos..
Devagar, devagarinho, ou rápido, talvez..
Não sei!
Só sei que estou cansada.
Cansada e cansada de estar cansada!
(30/03/2012)
Uma luz que vem de longe..
Todo um espaço a abrir perante os meus olhos..
Um espaço lindo, flores e ervinhas por todo o lado..
E uma casinha pequena ao fundo..
Uma voz pede-me que avance.
Mas o medo impede-me de andar, as minhas pernas tremem e os pés parecem colados ao chão..
Olho para baixo, estou a pisar a relva, o meu pensamento fixa-se aí.
De repente, como que adivinhando-me, abre-se um caminho de terra batida por entre a relva.
Os meus olhos seguem-no.
Vai dar à casa.
Sem pedir licença, o meu pé direito avança e o esquerdo tende a acompanhá-lo.
Quando me apercebo, estou à frente da porta.
E uma voz distante pede que a abra.
Sinto o medo colar-se à minha pele.
Dirijo-me ao lado direito da casa e espreito pela janela.
Susto!
Uma mão faz-me sinal para entrar.
Não quero. Faço um sinal negativo com a mão e corro em direcção à terra batida.
Chegada a meio do caminho percebo que não há como fugir..
Só terra e o céu azul brilhante.. e as flores por todo o lado.
E, novamente, a voz.
E, novamente, o medo.
Volto atrás.
Chego à porta cansada e a minha mão agarra o puxador.
Abro lentamente e a medo.
Lá dentro, ao fundo, uma lareira acesa e as chamas a iluminar toda a sala.
E a mão. Ao centro, a mão. Só a mão, a chamar-me, a pedir que a toque.
Falo baixinho: “não quero”.
Mas a mão não fala, a voz desapareceu e eu sinto um vazio enorme.
Um vazio totalmente preenchido de coisa nenhuma.
O medo agora obriga-me a entrar.
Sento-me na poltrona que está em frente à lareira e a mão está no meio da sala, continua a fazer sinal para que lhe pegue.
As lágrimas escorrem descontroladamente e começo a balançar..
Sinto frio..
Sinto medo..
Ali fico..
Não agarro a mão..
Não quero..
Ali fico..
(30/03/2012)
Voltei a pegar na caneta sem saber bem como, nem o porquê.
Simplesmente peguei nela.
Abri o caderno e ela começou a escrever quase sem o meu consentimento; parece ter vontade própria.
No entanto, escreve o que sai dos meus pensamentos.
Parece ter qualquer ligação com o meu cérebro e desliza com uma rapidez impressionante.
Peço-lhe que pare. Mas não consegue.
E continua a escrever rapidamente como que suplicando que a acompanhe, que a ajude a progredir.
Voltei a deixar-me seduzir por ela e, por isso, de alguma forma, correspondo às suas súplicas.
Momento confuso.
Volto a debruçar-me sobre a dúvida.
A dúvida..
Mas qual dúvida?
Sei lá...
Nem isso sei.
E quero mas não posso.
Faço sem querer.
Penso mas não penso.
Escrevo, sem escrever.
E quase vivo, sem viver..
(30/03/2012)

quinta-feira, 22 de março de 2012

Hoje estou sem vontade...
Não me apetece discutir, não me apetece rebater, não me apetece falar..
Não sei porquê. Não sei o que me deu.
Não faz parte da minha natureza.
Talvez esteja cansada..
Apenas isso, cansaço!

(15/03/2012)
Um dia de chuva!
Dia 15 de Março de 2012.
Trovoada!
Um céu escuro que, de longe a longe, é invadido pela luz de raios que me fazem estremecer..
O meu corpo todo estremece..
Um café, uma mesa e uma cadeira na rua, uma protecção em volta..
Uma protecção frágil, apenas essa protecção a separar-me das gotas grossas que escorrem pelas vidraças..
Talvez não a quisesse.. Talvez preferisse unir o meu corpo à manifestação da natureza..
Este Inverno foi seco.. Quase não choveu..
E será, provavelmente, por isso que a natureza se está a manifestar de forma tão agressiva.
As pessoas passam, de um lado para o outro, a correr, a fugir da força da água a cair do céu..
E eu aqui, protegida.
Protegida sem querer.
Pergunto-me o que pensariam essas pessoas, essas que correm, se, de repente, me levantasse calmamente e me deixasse banhar pela chuva; se andasse, lado a lado com elas mas sem correr, sem fugir.
Pensariam, claro, que sou doida.
Aqui e ali talvez se fizessem ouvir alguns comentários a reprimir a minha atitude.
Talvez tivessem pena de mim.
E talvez eu não me importasse com isso.
Sim, talvez o faça..
(15/03/2012)

quarta-feira, 21 de março de 2012

O consolo da escrita..

Desde que me lembro, sinto um fascínio incontornável pela leitura.
Devoro livros como quem vive para isso.
Sempre gostei da sensação que a leitura me fornece e ela têm-me acompanhado ao longo da vida.
É, sem dúvida, uma amiga para mim.
Quando toco num livro, sinto um prazer que não consigo descrever.
E gosto de tudo! O formato dos livros, a capa, as páginas, as letras ordenadas, o cheiro e a sensação do desconhecido antes de iniciar a leitura..
A escrita é, talvez, mais do que isso.
A escrita faz com que me sinta despojada de tudo.. Sinto-me leve quando escrevo..
Com ela, deito para fora o que, provavelmente, nunca conseguiria dizer.
As palavras ditas são sempre mais difíceis, mais dolorosas..
E a escrita traz-me uma calma que enleva o espírito..
Deixei de escrever durante alguns anos e isso pode ter sido um erro..
Corrijo, foi, de facto, um erro!
A escrita é, porventura, um consolo..
O consola da alma..
Um consolo que me traz felicidade..
Novamente o sol..
Desta vez um sol de final de tarde..
São 18 horas e eu estou sentada na esplanada de um café..
O mundo gira à minha volta..
Ah, que frase tão familiar; principalmente para mim, leitora compulsiva.
Mas, agora que penso nisso, é mesmo o que acontece.
Parece não dizer nada mas, no fundo, é o que se está a passar.
Estou aqui sentada e o meu cérebro completamente inundado de pensamentos.. e o mundo cintinua a girar..
As pessoas que me rodeiam continuam as suas vidas completamente alheadas de mim. E dos meus pensamentos..
E outra vez sinto um contentamento tal que não sei de onde vem. Não sei onde me leva.
Engraçado!
Li, há poucos dias atrás, um texto que será, com toda a certeza, conhecido de todos.
Um escrito de Pessoa: "Não sei quem sou, que alma tenho".
Já era meu conhecido de tempos longínquos, dos tempos de escola, quando me apaixonei pela escrita deste Senhor.
Sempre me revi neste texto, sempre me reconheci nele.
Nos últimos dias, no entanto, aquelas palavras fazem mais sentido do que nunca.
Estou numa fase da vida (sim, fase parece-me bem) em que a maior parte das pessoas estaria em estado de desespero total.
Mas não! Não estou. E, por vezes, sinto-me culpada por não estar.
Deverei sentir-me assim? Quem sabe?
Sou um ser humano, claro. Por vezes parece o fim da linha e as lágrimas escorrem descontroladamente pela minha face.
Depois, sabe-se lá de onde, vem a força. Uma força que não me lembro de ter sentido antes, em nenhum outro momento.
Talvez esta força venha da percepção de que o meu mundo é uma mão cheia de coisas.
Sim, é isso. Sou múltipla também..
Um conjunto de ideias, de pensamentos, de sentimentos,.. Um conjunto que me preenche, cada coisa com a sua função.
Talvez me tenha esquecido disso durante algum tempo. Tempo demais!
Não sou só isto ou aquilo.
Sou o conjunto disto com aquilo..
Sou tudo e nada..
Ou, então, "não sei quem sou, que alma tenho"..
E, novamente, o preenchimento na imcompletude..
(09/03/2012)
Estou sentada num banco de jardim.
Num dos meus sítios favoritos desta cidade que, de uma forma ou de outra, no fundo, continuo a amar.
O sol está forte, tendo em consideração que estamos em pleno mês de Março.
Estou sozinha! Mesmo assim, incrivelmente, não me sinto sozinha.
Não sei porquê..
Será este sol radiante? Esta luz que penetra por entre os prédios? Será o meu coração?
Ou, simplesmente, a constatação de que estou viva?
Sim, estou viva! E com uma enorme vontade de continuar a viver..
Porquê? Não sei..
Estou a gostar desta sensação, ainda que não saiba o porquê da mesma.
Tenho sentido, nos últimos dias, que o meu mundo está a fugir.. Tudo o que parecia certo, afinal, pode não ser..
O que posso fazer? Não sei. Não sei mesmo! Talvez deva perguntar-me, em vez disso, o que devo fazer?
Isso penso saber. O que também não sei é como o conseguir..
Um pombo!!! Sim, um pombo! Esta rua está cheia desles. Agora me apercebo. Odeio pombos!
No entanto, não me está a incomodar.
Como pode não me incomodar?
Isso também não sei.. Imagino que seja o meu estado de espírito.
É, talvez seja isso..
Oh, este barulho dos carros, música para os meus ouvidos..
Este movimento rápido que é a substituição de um corpo por outro, para cima e para baixo. Todos cheios de pressa..
Uma pressa que há-de ser, com toda a certeza, a de chegar a qualquer lugar.
Não tenho pressa!
Mas conheço a pressa destas gente.. A casa, o trabalho, os filhos na escola, alguém que os espera.
Ou, tão só, a pressa.. Apenas pressa.. Uma urgência de coisa nenhuma..
Não a tenho agora.
Mas sei que quero chegar a algum lugar, atingir algo, chegar a alguém..
Paciência!
É isso que preciso e quero neste momento.
Será o que tiver de ser, mas quero ter paciência..
Não é uma das minhas virtudes mas vou conseguir obtê-la, seja como for, vou conseguir..
E quero força! Sim..
Quero lutar! E, para isso, o que preciso? Força.. Sim, é de força que preciso!
A vida, o sol, esta tarde a escrever num banco de jardim, recordações e saudade..
Tudo isto e, quem sabe, mais algumas coisas dar-me-ão força.
E se o que eu quero tiver de ser para mim, então será..
É isto. Tem de ser isto!
Levanto a cabeça e ali está ele, de novo, brilha incessantemente, o sol..
E os corpos..
E os carros..
E a vida..
Incessantemente..
E o tempo, sempre o tempo, não pára..
(06/03/2012)

segunda-feira, 5 de março de 2012

Ultimamente tenho pensado muito em quem sou..
E tenho-me perdido nesses pensamentos sem nunca me encontrar..
Quando me apercebo do que me está a acontecer normalmente já é tarde para sair ilesa..
Por isso ali fico, quieta, calada,.. e eles penetram em mim.. os sentimentos.. medos.. angústias.. dor..
E como afastá-los depois? Como ganhar esta batalha?
Vou rasgando os corpos dos mesmos e sinto-me um pouco aliviada ao ver o fio de sangue escorrer lentamente..
Esse alívio traz-me um pouco de alento que me ajuda a levantar, limpar o suor e erguer de novo a espada,..
A visão da mesma dá-me confiança,.. mas.. os corpos não esmorecem,.. as feridas não são profundas e, de novo, ganham força..
E ali ficam a pairar, a ameaça de novo ataque,.. e eu sem forças, mas sem poder baixar a espada, sem poder deixar-me consumir.. e luto..
Luto sem saber bem porquê, numa busca incessante do meu eu..
Um eu que é múltiplo e que não sabe se sabe bem que ser é, se é só um ser, se é todos num,..

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Se eu pudesse mudar...
Não errava,
Não tinha dúvidas,
Não magoava,
Nem saía magoada,
E talvez também não fosse feliz.
Se eu pudesse mudar,
Não mudava!

06-02-2012

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Hoje estou agitada!
Não sei bem porquê.
Sinto vontade de gritar bem alto, de saltar, de dançar, de viver...
Talvez seja ridículo mas sinto uma força tremenda, uma energia que não sei de onde veio nem onde me pode levar.
E, de repente, saudades do mar..
Vontade de correr na areia, sim de correr, muito, o mais rápido que consiga..
O corpo cansado, a alma livre, a visão do mar..
Descalçar os ténis e correr na direcção dele, o choque do corpo quente com a água gélida e a adrenalina a subir..
Nadar, sentir-me estremecer de prazer..
Erguer-me depois e abrir os braços ao mundo, sentir a roupa colada à pele e uma leve brisa que em nada interfere com a dureza de um corpo que celebra tal felicidade..

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Decidi!
Bem ou mal não sei..
Que interesse tem isso?
Decidi e pronto!..

Oh, que pensamento infantil..
“Decidi e pronto!” não é decidir..

Pois então que há-de ser decidir?

Decidir é escolher..
O preto ou o branco, o verde ou o azul...

E é bom só poder ficar com uma das cores?

Se só podes mesmo ficar com uma delas é bom se fizeres a escolha mais acertada..

E como sei que fiz a escolha mais acertada?

Nunca poderás saber totalmente..

Talvez seja isto.. A esolha é assim.. Não pode ser de outra forma.. Escolhemos e pronto! Não há problema. A escolha é só uma escolha e o mundo não acaba amanhã. Se a escolha for errada podemos depois corrigi-la. E talvez tenha sido a dificuldade em perceber isto que levou à demora na decisão..
Ultimamente tenho sentido uma necessidade desmesurada de fazer o que não faço, de estar onde não estou, de sonhar o que não sonho, enfim.. de viver o que não vivo..

E no meio desta necessidade descobri que é possível, é possível fazer o que não faço, é possível estar onde não estou, é possível sonhar o que não sonho e até viver o que não vivo..

No entanto pergunto-me depois: quererei mesmo fazê-lo?

E aqui estou, novamente, no ponto principal. No que me levou a sentar-me à frente do computador e começar a escrever: a dúvida.

A dúvida tem consumido permanentemente o meu pensamento. Vem quando quer e lhe apetece e sem qualquer pré-aviso. Devia existir uma espécie de “interpelação” como existe no Direito para que nos pudessemos precaver.. Assim eu poderia, sei lá, esconder-me num sítio qualquer isolado onde ela não conseguisse entrar.. Sim era isso! A dúvida é tamanha que podia esconder-me num sítio tão pequeno que mesmo que me encontrasse nunca chegaria a penetrar no meu pensamento.. Oh que ideia tão bela e apetecível.. Quem me dera..
No meio da bruma não consigo alcançar a verdade..
Existirá mesmo uma verdade?
Não sei se me expresso bem, se quererei mesmo falar de verdade..
Estarei antes a pensar no bem e no mal?
Será que no fundo o que faço é perder-me na classificação do que é o bem e o mal?
Nem isso sei..
E se for isso, porque terei eu de me preocupar?
Tenho feito milhares de perguntas e não sei como lhes responder:
Ou talvez não queira saber,..
O u talvez a resposta não seja a que gostaria,..
Ou, provavelmente, nunca chego a uma resposta porque me perco com outras perguntas..
Serão o bem e o mal definíveis?
Se o forem, poderei eu defini-los como me aprouver?
Ou terei de respeitar a definição dos outros?
Os outros, os outros, os outros..