Novamente o sol..
Desta vez um sol de final de tarde..
São 18 horas e eu estou sentada na esplanada de um café..
O mundo gira à minha volta..
Ah, que frase tão familiar; principalmente para mim, leitora compulsiva.
Mas, agora que penso nisso, é mesmo o que acontece.
Parece não dizer nada mas, no fundo, é o que se está a passar.
Estou aqui sentada e o meu cérebro completamente inundado de pensamentos.. e o mundo cintinua a girar..
As pessoas que me rodeiam continuam as suas vidas completamente alheadas de mim. E dos meus pensamentos..
E outra vez sinto um contentamento tal que não sei de onde vem. Não sei onde me leva.
Engraçado!
Li, há poucos dias atrás, um texto que será, com toda a certeza, conhecido de todos.
Um escrito de Pessoa: "Não sei quem sou, que alma tenho".
Já era meu conhecido de tempos longínquos, dos tempos de escola, quando me apaixonei pela escrita deste Senhor.
Sempre me revi neste texto, sempre me reconheci nele.
Nos últimos dias, no entanto, aquelas palavras fazem mais sentido do que nunca.
Estou numa fase da vida (sim, fase parece-me bem) em que a maior parte das pessoas estaria em estado de desespero total.
Mas não! Não estou. E, por vezes, sinto-me culpada por não estar.
Deverei sentir-me assim? Quem sabe?
Sou um ser humano, claro. Por vezes parece o fim da linha e as lágrimas escorrem descontroladamente pela minha face.
Depois, sabe-se lá de onde, vem a força. Uma força que não me lembro de ter sentido antes, em nenhum outro momento.
Talvez esta força venha da percepção de que o meu mundo é uma mão cheia de coisas.
Sim, é isso. Sou múltipla também..
Um conjunto de ideias, de pensamentos, de sentimentos,.. Um conjunto que me preenche, cada coisa com a sua função.
Talvez me tenha esquecido disso durante algum tempo. Tempo demais!
Não sou só isto ou aquilo.
Sou o conjunto disto com aquilo..
Sou tudo e nada..
Ou, então, "não sei quem sou, que alma tenho"..
E, novamente, o preenchimento na imcompletude..
(09/03/2012)
Sem comentários:
Enviar um comentário