sexta-feira, 30 de março de 2012

Uma luz que vem de longe..
Todo um espaço a abrir perante os meus olhos..
Um espaço lindo, flores e ervinhas por todo o lado..
E uma casinha pequena ao fundo..
Uma voz pede-me que avance.
Mas o medo impede-me de andar, as minhas pernas tremem e os pés parecem colados ao chão..
Olho para baixo, estou a pisar a relva, o meu pensamento fixa-se aí.
De repente, como que adivinhando-me, abre-se um caminho de terra batida por entre a relva.
Os meus olhos seguem-no.
Vai dar à casa.
Sem pedir licença, o meu pé direito avança e o esquerdo tende a acompanhá-lo.
Quando me apercebo, estou à frente da porta.
E uma voz distante pede que a abra.
Sinto o medo colar-se à minha pele.
Dirijo-me ao lado direito da casa e espreito pela janela.
Susto!
Uma mão faz-me sinal para entrar.
Não quero. Faço um sinal negativo com a mão e corro em direcção à terra batida.
Chegada a meio do caminho percebo que não há como fugir..
Só terra e o céu azul brilhante.. e as flores por todo o lado.
E, novamente, a voz.
E, novamente, o medo.
Volto atrás.
Chego à porta cansada e a minha mão agarra o puxador.
Abro lentamente e a medo.
Lá dentro, ao fundo, uma lareira acesa e as chamas a iluminar toda a sala.
E a mão. Ao centro, a mão. Só a mão, a chamar-me, a pedir que a toque.
Falo baixinho: “não quero”.
Mas a mão não fala, a voz desapareceu e eu sinto um vazio enorme.
Um vazio totalmente preenchido de coisa nenhuma.
O medo agora obriga-me a entrar.
Sento-me na poltrona que está em frente à lareira e a mão está no meio da sala, continua a fazer sinal para que lhe pegue.
As lágrimas escorrem descontroladamente e começo a balançar..
Sinto frio..
Sinto medo..
Ali fico..
Não agarro a mão..
Não quero..
Ali fico..
(30/03/2012)

2 comentários:

  1. Gostei! Tem contornos sinistros, um misto entre pesadelo e delírio febril; envolvente :)

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