A solidão é a base da boa escrita.
Todos escrevemos. Melhor dito, talvez, todos podemos
escrever.
Não o faremos todos da mesma forma, claro. Não o faremos com
o mesmo objectivo.
Há os que o fazem por gosto. Há ainda os que o fazem por
obrigação. Há também, claro está, os que o não fazem.
Há, por fim, talvez, os que o fazem por terem de o fazer. Não
por obrigação mas porque algo inexplicável os leva a fazê-lo.
De entre todos, não sei qual será o melhor, nem me
interessa.
O que me interessa é observar, pensar.
Ora o que tenho vindo a observar e a constatar é que a boa
escrita (note-se que a boa escrita aqui se refere apenas à minha acepção e não
à sua ou de outro qualquer) surge palpável pela mão de mentes solitárias.
Mentes que vêem por debaixo do manto que cobre o que de mais
profundo pode existir no mundo.
Mentes que conseguem ler o que está escrito por detrás da
palavra proferida.
Mentes que captam o conteúdo que se esconde na forma.
São essas mentes que admiro, são essas que respeito com o
espanto de um descobridor.
101012