segunda-feira, 4 de junho de 2012

Ela estava inerte... Aquela sensação de que o tempo não passa. E ele, como habitualmente, sempre em movimento; ora depressa, ora devagar. Ela não conseguia mover-se mas, ao mesmo tempo, no corpo um burbulhar inquieto que a incomodava. Um burbulhar de obrigação que a fazia ter vontade de um qualquer acto de brutalidade pura. Começar a gritar bem alto, do fundo do seu ser; partir objectos, como quem está enlouquecido; fazer uma loucura qualquer que lhe aquecesse a alma. No entanto, nada fez. Algo a impedia da acção, qualquer que ela fosse. Sentia que os objectos eram inatingíveis. Como se, ao tocar-lhes, pudessem, simplesmente, desaparecer. A ideia de tudo ser uma miragem afectava o seu estado de espírito de tal forma que até a leve brisa que corria lhe parecia irreal. Como se sonhasse. Como se a realidade não fosse real. E, por isso, ali ficou, imóvel. (04/07/2012)